Inovação estratégica: um caminho para os pequenos negócios

josue02Para inovar, não é preciso criar algo nunca visto. Na verdade, inventar uma coisa do zero raramente acontece.

A inovação passa por um processo de melhoria de produtos e serviços já existentes, para que estes modelos renovados ganhem mercado. Em um mundo cada vez mais competitivo, adotá-la como estratégia para gerar diferencial é um caminho mais que possível e necessário aos pequenos negócios.

Pensando em ajudar empreendedores neste tema, o Sebrae/MS conta com a Oficina de Inovação Estratégica (turmas abertas em Campo Grande e Bonito), que apresenta ideias, ferramentas, e outras soluções aplicáveis para transformar o próprio negócio por meio da inovação.

Confira abaixo uma entrevista com Josué Sanches, especialista em Gestão Estratégica de Marketing e Vendas; Mestre em Marketing Estratégico e que realiza mentoria durante a oficina.
Afinal, o que é inovação?

Existem várias definições de inovação, que vêm de diferentes áreas sociais. Para nós, da área de negócios, inovação é essencialmente tudo aquilo que gera diferencial competitivo. Se você propõe algo no negócio que aumente a percepção de valor do cliente e torne tal produto ou serviço mais desejado, fazendo com que o consumidor prefira a sua e não a outra empresa, isso é inovação.

Qual a importância da inovação para o pequeno negócio?

Temos experimentado hoje um cenário de competição diferente de qualquer outro tempo. Todo dia vemos negócios novos abrindo e se propondo a oferecer serviços, soluções e produtos de forma nova, complementar, ou melhor que aquelas existentes. Isso por si só já caracteriza um processo de inovação. São negócios – sejam novos ou já com tempo no mercado – se propondo a oferecer mais vantagens para o consumidor. Aí fica fácil entender porque temos de inovar, não é?

Quando alguém faz algo melhor, mais rápido, por menor preço ou com outra vantagem competitiva sobre você, naturalmente, você deve se igualar ou oferecer algo com ainda mais vantagens; caso contrário, perderá mercado e, às vezes, poderá até deixar de existir. Afinal, o consumidor já não quer mais aquilo que você oferece ou, pelo menos, não do mesmo jeito que você oferece.

Existem diferentes níveis de inovação?

Normalmente falamos de inovação disruptiva, que é aquela que quebra de vez a forma como as coisas acontecem e propõe algo que vai mudar radicalmente um mercado; e de inovação incremental, que são soluções que geram valor adicional às coisas, negócios, produtos, etc.

Essencialmente, 90% dos negócios precisam mais de inovação incremental do que disruptiva. Em alguns segmentos, só o fato de você oferecer entrega, já impacta diretamente na competitividade, na preferência do consumidor e no caixa. Inovação é sobre isso. É absolutamente possível.

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Quais os principais elementos a se levar em conta ao elaborar uma estratégia de inovação?

O centro de tudo são as pessoas. As empresas e empreendedores gastam tanto tempo estudando processos e metodologias de gestão que se esquecem de que os negócios só existem porque têm pessoas que querem comprar aquilo. Por isso, se você quer ser bem sucedido nos negócios, entenda das suas pessoas, dos seus clientes.

Mais do que saber quem são e o que querem, deve-se entender “por que” querem. Esse é um tema central que tratamos durante oficina de inovação.

Adotar uma estratégia de inovação gera impactos para o dia a dia empresa. Quais mudanças (sejam estruturais ou comportamentais) o empresário pode ter de enfrentar ao decidir por esse caminho?

Tenho entendido, ao longo de minha atuação para ajudar empresários a mudarem seus negócios, que a barreira inicial é uma coisa chamada “visão”. Tudo esbarra nela. É por isso que essa oficina se baseia em conectar pessoas com possibilidades. À medida que ampliamos o contato com caminhos, soluções e atuações que funcionam pelo mundo afora, e do lado de casa, começamos a criar um ambiente mental favorável para encontrar os próprios caminhos. Entender que o mundo mudou e que precisamos mudar com ele o tempo todo é a chave.

A estratégia de inovação deve ser revista com frequência? Por quê?

Sem nenhuma dúvida, nesse exato momento, existem pessoas criando alternativas, soluções e propostas que vão tomar nosso mercado. E é por isso que a inovação precisa estar na essência dos negócios e do que é ser empreendedor. Isso significa que precisamos ter um radar sobre para onde o mercado toca e ir criando alternativas, gerando valor para sermos sempre, ou na maioria das vezes, os preferidos pelas pessoas. Acredite: dezenas de negócios vão deixar de existir da forma como conhecemos. A forma como as pessoas compram e por que compram é que ditam.

Quais os mecanismos mais indicados para fazer a gestão da inovação?

Primeiro é preciso entender que inovar precisa estar na veia da existência do negócio.
Criar processos e ferramentas que ajudem a compreender as pessoas (clientes) do negócio é ponto chave. Depois, temos de estar dispostos a criar alternativas e testar as possibilidades sem medo de errar.

Qual conselho você daria a um empreendedor que ainda não faz um planejamento para adotar ações inovadoras?

Quando falamos de inovação é difícil pensar num planejamento sistemático. Exatamente porque às vezes elas acontecem no caos, ou seja, não confluência de possibilidades, dados, feedbacks, etc. Minha sugestão é primeiramente realizar um radar constante daquilo que impacta seu mercado. A chamada onda verde (natural) na alimentação, por exemplo, tem impactado todo segmento. Ao mesmo tempo em que abre oportunidades para novos negócios, faz com que outros desaparecerem; simplesmente pelo fato de que as pessoas não querem mais comer ou comprar da maneira como havia sendo feito. Depois disso, é necessário criar um ambiente propício para que os envolvidos (sejam colaboradores ou clientes) proponham soluções e melhorias o tempo todo; e estar aberto e disposto a implantá-las, testá-las.

Como consultor, você conduz uma oficina do Sebrae/MS sobre esse tema. O que é ensinado nessa atividade?

A oficina de inovação é uma grande imersão nas mudanças do mundo do consumo, na conexão de possibilidades e na geração de ideias e soluções para os negócios. Lá conectamos os participantes com as transformações que temos vivido enquanto sociedade e apontamos caminhos que funcionam. Durante esse processo, os próprios participantes começam a gerar soluções e pensar caminhos para seus próprios negócios. Ao final, passamos por algumas horas de “ideação”, focada na geração de possibilidades nas várias áreas do negócio, gerando valor onde for possível.

Os participantes saem com a cabeça “a mil” e um Mapa Estratégico para aplicarem imediatamente. O ambiente todo é bastante informal e usamos ferramentas bastante práticas, sem teorias abstratas. Tudo é absolutamente palpável e muito transformador. Qualquer pessoa que queira ou precise gerar estratégias e inovações são bem vindas.

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